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Chery prepara recuperação em 2013

Após um ano difícil, com queda em torno de 30% nas vendas sobre 2011, causada pela sobretaxação aos veículos importados, a chinesa Chery se prepara para a retomada. A empresa investe US$ 400 milhões para construir uma fábrica com capacidade para 150 mil unidades/ano em Jacareí (SP), a ser inaugurada em novembro de 2013. Assim a Chery se habilita como investidor ao novo regime automotivo, o Inovar-Auto, e poderá importar até 37,5 mil veículos/ano (25% da produção prometida) sem pagar a sobretaxa de IPI de 30 pontos porcentuais, desde que sejam modelos similares aos que serão fabricados no interior paulista – no caso, o compacto Celer, nas versões sedã e hatch. Com isso, a expectativa é vender 35 mil carros durante o próximo ano, contra apenas 15 mil em 2012, e voltar ao ritmo de crescimento acelerado observado em 2011.

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“Pelo novo regime, poderemos trazer da China o Celer e o QQ sem pagar os 30 pontos, pois são carros da mesma categoria do Celer que será feito em Jacareí”, explica Luis Curi, vice-presidente e diretor comercial da Chery Brasil. Ele acrescenta que também estarão isentos da sobretaxação de IPI e do imposto de importação o utilitário esportivo Tiggo e o compacto Face, ambos trazidos do Uruguai, onde a Chery mantém uma unidade de montagem com partes importadas (CKD). Os dois modelos entram numa cota de isenção acertada entre os governos brasileiro e uruguaio, de até 20 mil veículos/ano sem taxação. “Pretendemos trazer do Uruguai 7 mil Face e 5 mil Tiggo em 2013”, diz Curi.

Com a estratégia de encaixar na cota do Inovar-Auto o Celer e QQ (responsável por quase metade das vendas no Brasil) e trazer do Uruguai Tiggo e Face, em 2013 a Chery só pagará os 30 pontos adicionais de IPI sobre dois modelos importados da China: o hatch S-18 e Cielo sedã e hatch, que somados mal venderam pouco mais de 2 mil unidades este ano. Mesmo assim, a Chery pretende absorver em suas margens a sobretaxação, sem aumentar preços. “Essa é a vantagem de ter uma operação que pertence à casa-matriz: podemos negociar com eles o prazo no pagamento dos veículos. Mesmo que não conseguíssemos o desconto do IPI este ano, iríamos absorver o custo extra até que a fábrica ficasse pronta”, afirma Curi.

HABILITAÇÃO ATRASADA

Curi conta que a Chery foi uma das primeiras empresas a pedir sua entrada no regime previsto no Inovar-Auto. “Logo que saiu a regulamentação, em outubro, fizemos um estudo e vimos que nos enquadrávamos em tudo. Fomos a oitava empresa a protocolar no Ministério do Desenvolvimento o pedido de adesão”, diz o executivo. Contudo, até a penúltima semana de dezembro a habilitação ainda não tinha saído. “Houve um problema burocrático que atrasou um pouco o processo. O representante e procurador anterior da empresa no País não tinha garantias financeiras para aderir ao regime, que prevê multas pesadas para quem não cumprir suas exigências e metas. Assim tivemos de apresentar outro responsável pela empresa, com garantias da Chery na China. Por isso precisamos também passar por trâmites do governo chinês que é o dono da empresa. Mas já está tudo resolvido e esperamos a habilitação para os próximos dias”, explica.

Até a última semana do ano, estavam parados no pátio do Porto de Vitória (ES), à espera da habilitação, 3,7 mil carros – 1,8 mil chegaram há 60 dias e outros 1,9 mil há 30 dias. Entre eles está o Celer, que será fabricado no Brasil a partir de novembro. Por isso a Chery atrasou o lançamento do modelo no País. “Assim que saiu a regulamentação fizemos o pedido de importação à China. Mas vamos esperar nossa habilitação para fazer a nacionalização dos veículos sem o pagamento do adicional de IPI”, diz Curi. Mesmo durante 2012, a Chery só pagou o IPI extra de cerca de 2 mil veículos. Isso porque a empresa importou 17 mil carros nos três meses finais de 2011 e conseguiu formar um estoque grande antes que o imposto fosse aumentado, em dezembro daquele ano.

A Chery só pediu a habilitação como investidor e deixou para sua antiga representante no Brasil, a Venko Motors, caminho aberto para aderir ao Inovar-Auto como importadora dos modelos Rely, marca da linha de veículos utilitários da montadora chinesa. Se for habilitada, a Venko poderá trazer até 4,8 mil unidades por ano sem pagar o IPI extra. Quando a Chery assumiu a operação brasileira para poder usufruir dos benefícios do novo regime automotivo, concedeu como compensação à Venko a representação da Rely. A marca já se associou à Abeiva, que reúne os importadores sem fábrica no País, e deve começar a trazer veículos da China a partir de janeiro.

FÁBRICA, FORNECEDORES E MERCADO

Curi informou que está adiantado o processo de escolha de fornecedores para a fábrica brasileira da Chery. Segundo ele, sete empresas chinesas já confirmaram que vão acompanhar o cliente no Brasil e algumas estão em negociação com fabricantes locais para a formação de possíveis joint ventures. Também já foram homologados 10 fornecedores brasileiros, principalmente pequenas e médias empresas que vão compor a cadeia de suprimentos. Além desses, estão na lista alguns dos maiores sistemistas globais, como Delphi, Lear, Johnson Controls e Bosch, que já são fornecedores da Chery na China e não precisam fazer homologação outra vez para fornecer aqui. “A ideia é fazer uma Chery City com alguns dos principais fornecedores perto da fábrica em Jacareí. A prefeitura já colocou algumas áreas para isso à disposição”, diz Curi.

Ele acrescentou que até o fim de janeiro devem chegar da China as estruturas metálicas para terminar as obras civis da planta. Depois chega o maquinário de produção, também de origem chinesa, que recebeu isenção de impostos de importação (ex-tarifário), como investimento em ativo-fixo. Todo o investimento no Brasil está sendo bancado pela Chery, sem financiamento do BNDES.

No primeiro ano de funcionamento, a fábrica está projetada para produzir 50 mil unidades do Celer hatch e sedã (ambos começam a ser produzidos ao mesmo tempo). No ano seguinte o ritmo cresce para 70 mil veículos e a expectativa é atingir o potencial de 150 mil/ano no em 2015. “Esperamos vender 150 mil carros e ter 3% do mercado em 2016, quando estimamos que o mercado brasileiro atinja a marca de 5 milhões de unidades por ano”, projeta.

O número de concessionárias da Chery no Brasil, que chegou a 105, este ano caiu para 82 e deve permanecer nesse patamar durante 2013. “Achamos um número adequado para o ritmo atual dos negócios”, avalia o executivo.

BANCO CHERY

Curi revelou que a empresa também deverá criar o Banco Chery no Brasil, como forma de apoiar o financiamento dos carros da marca no País, assim como já fazem outras montadoras. O braço financeiro deve ser formalizado durante 2013. O chefe financeiro da Chery, Wang Shaofeng, recentemente e visitou os maiores bancos brasileiros para negociar possíveis parcerias e associações.

Vi no Automotive Business

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