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JAC agora quer clientes do Civic e do Corolla

Há um ano no Brasil e com mais de 30 mil carros vendidos, a JAC Motors prepara mais um passo em sua história no país, antes de sua coroação definitiva com a inauguração de sua fábrica em Camaçari (BA), prevista para 2014. Chegou ao país o J5, o sedã da marca chinesa que, a exemplo do J3, promete fazer barulho no mercado nacional. O Faustão, “garoto” propaganda da marca, vai ter o que falar.

Trata-se do primeiro sedã médio importado da China com condições reais de incomodar a concorrência – o Chery Cielo Sedan, por exemplo, não fez nem cócegas. Para isso, a JAC aposta na agressividade. Seu produto, como é de praxe nos carros chineses, vem bem equipado e seu preço é convidativo para a categoria. Ou melhor, ele é o mais barato de sua classe. O pessoal da JAC gosta de dizer que o J5 “tem porte de Civic, mas com preço de City”.

O J5 custa R$ 53.800 e “nada mais”, como exalta o Faustão no anúncio sobre o carro. Muitos vão dizer “ele é barato porque vem da China”. E eles estão totalmente certos, pois lá os custos de produção e mão-de-obra são mais baixos, o governo é menos sacana e a montadora não trabalha com margens de lucro astronômicas, como se faz por aqui. Ponto para a JAC. Já outros dirão “ele pode ser bom sendo chinês?”. E aí que começa a eterna dor de cabeça dos chineses em lidar com o preconceito.

Existem marcas chinesas que fabricam legítimas porcarias e algumas poucas começaram a fazer bons carros, embora o nível ainda não seja o mesmo do Ocidente. A JAC é uma dessas empresas. Não é um primor em qualidade, mas também não faz feio.

O J5, aliás, é bonito. Assim como os modelos J3, o sedã também foi desenhado pelo estúdio italiano Pininfarina, que tem no currículo “obras” para Alfa Romeo, Fiat e até Ferrari. O carro tem um “que” de elegância, algo primordial em seu segmento, com linhas frontais e traseiras em harmonia e bem definidas. De fato agrada. O tamanho do veículo também é bom: mede 4,59 metros de comprimento (é maior que o Toyota Corolla) e conta com 2,71 m de distância entre-eixos, a maior da categoria. Já o porta-malas comporta 460 litros.

A cabine parece uma evolução do interior do J3. Volante e instrumentos são praticamente iguais ao do modelo popular, cabendo a originalidade aos detalhes em plástico laqueado (uma superfície lisa e reluzente) e o ar-condicionado digital, detalhes encomendados por Sérgio Habib, o presidente da marca no país. O J5 ainda possui um razoável espaço interno (graças ao bom entre-eixos), seja nos bancos da frente ou de trás. Falta só o revestimento de couro nos assentos, algo que JAC vende como “acessório” por R$ 1.600. Outras marcas chamam esse item de “opcional”.

A lista de itens de série é ampla. Ela contempla sensor de estacionamento, freios ABS com EBD, airbag duplo frontal, sistema de som integrado ao painel, entre outros. Ainda é possível optar por rodas aro 17” em vez do conjunto de 16”. Basta pagar R$ 1.390.

Para agradar mais ainda os brasileiros, a JAC afirma ter alterado 160 componentes no veículo, desde acertos para melhorar o isolamento acústico a substituição dos amortecedores por conjuntos mais adequados ao gosto tupiniquim. “O brasileiro gosta de carros com direção e suspensão mais duros”, contou Habib no CD que tocava no carro durante nosso test-drive.

Hora de reclamar

Mesmo com os devidos ajustes, o J5, porém, apresenta um comportamento um tanto “molenga”, como a direção super leve e a suspensão macia demais, e o alto ruído interno que invade a cabine, apesar do reforço acústico. Talvez ele precise de mais.

O conjunto motriz também não empolga, em especial para um sedã. O novo JAC vem com opção única de motor a gasolina 1.5 16V VVT (comando variável de admissão e escape, como no Corolla e Civic) de 125 cv e 15,5 kgfm de torque. Já a transmissão é manual de 5 marchas. Neste ponto, a concorrência, literalmente, saí na frente. E a má notícia é que a opção de transmissão automática, muito popular nesse segmento, só chegará em 2013, segundo a marca.

A arrancada do J5 é tímida e o ponteiro do velocímetro demora a se desenvolver, isso com apenas duas pessoas no carro. Com mais três ocupantes e carga no porta-malas, o desempenho deve ser ainda mais decepcionante. Segundo a JAC, o J5 “abrasileirado” vai do 0 aos 100 km/h em 11,8 segundos e atinge até 188 km/h.

Ação e reação

Somando os pontos fortes e fracos do J5, podemos concluir que ele é um produto razoável pendendo para o bom. Se de fato cair no gosto do público brasileiro, as montadoras rivais terão de repensar a estratégia comercial de seus sedãs, que são na maioria caríssimos e parcamente equipados. Se a situação apertar, talvez tenham de baixar seus preços, como aconteceu com os rivais do J3. Neste ponto, o Brasil deve agradecer a JAC.

Vi no Correio do Estado

Sobre o autor | Website

Alexandre Carvalho é empresário na área de Marketing e Coaching. Uma das suas empresas é a Forcom, especialista em gestão de marketing e conteúdo. Ativo e interessado em diversas temas, tem como objetivo divulgar o segmento de Carros Chineses no Brasil.

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2 Comentários

  1. Pedro diz:

    Acho que abordou bem ao dizer “se cair no gosto brasileiro”. Quer dizer, o motor realmente não é aquele estouro, mas hoje em dia podemos também levar outras coisas em consideração, como por exemplo design e conforto ao motorista e passageiros. Já reparou que passamos mais tempo no trânsito do que, de fato, pilotando a velocidade que gostaríamos de conduzir? Pois é, talves um 2.0 n seja lá boa ideia. É só uma breve analise, mas acredito que a Jac fez uma jogada interessante, só resta esperar o CVT. ai pronto, o estrago estará feito. Muito mais econômico na compra, na pós venda, e no uso diário.

  2. Luiz Antonio diz:

    Na verdade, na verdade, não é questão de roubar os clientes do CIVIC, creio eu. O publico é diferente – O cara que pega um J5 é aquele que gostaria de pegar um Civic, mas não tem as condições para isso, e ai opta por um carro lindo também, só que mais em conta. Essa é a proposta do J5, que diga-se de passagem, é muito boa.